Ana Maria Reis
30/10/2000
"Sou ritmista", fala de boca cheia Joãozinho, que, por ironia, ficou conhecido como o "da Percussão" - "-imposições norte-americanas", ataca o neologismo, por acreditar que o verdadeiro percussion man deva tocar também piano e cordas.
Polêmicas a parte, segue o sambista apaixonado por Cuba: Joãozinho das maracas, bongô, pandeiro, triângulo, congas, güirro, quexada, cuica, timbales, tamborim, surdo, clave, ganzá, pau-de-chuva, coquinhos...
Debute esperado
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Após gravar com estrelas da música popular brasileira (uma constelação delas, Tim Maia, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu & Baby...), o percussionista, em fim, prepara seu debute. Está para ser lançado ainda este ano seu primeiro CD, batizado de "Ritmos do Tempo". "Este trabalho é uma homenagem à produção local, um registro de artistas juizforanos e mineiros", comenta Joãozinho. |
Além dos entraves básicos para se produzir um disco independente no Brasil, a finalização de "Ritmos..." deve-se ao cuidado que o artista teve em escolher o repertório. Composições de Chico Buarque, Carlinhos Vergueiro, Toninho Horta entre outros, são interpretadas por artistas locais. Uma surpresa será ouvir Joãozinho da Percussão soltando a voz em uma das faixas do disco.
Joãozinho também gravou músicas que foram feitas em sua homenagem, como "Loquela", dos amigos Fernando Barreto e de Luizinho Lopes e "Abraço pro João", da Orquestra de Jazz Silvio Gomes. Nani Neto, Ana Terra, Isabela Ladeira, Rosana, Tania Bicalho, Cristiane Visentin, Mirinha são outros nomes que participam do CD.
Jazz e bossa
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Joãozinho da Percussão tem se dedicado às apresentações do Brazilian Jazz
Trio, formado pelo ritmista, o pianista Mauro Continentino e Messias no
contra-baixo acústico. Em seus shows, os músicos passeiam pelo melhor da
música popular brasileira - uma bossa nova que escorrega no jazz. Nas apresentações do Brazilian Jazz, o samba, as influências cubanas e porto-riquenhas de Joãozinho dão um tom especial às levadas dos outros dois músicos. Para tanto, ele improvisou uma bateria e caprichou nos efeitos. | ![]() |
Mercado e reconhecimento
Teve época em que Joãozinho da Percussão era mais conhecido no exterior que
na própria cidade em que nasceu, Juiz de Fora. Era anos 70, o mundo
descobria o suingue nacional. O ritmista gravou em Londres com Jorge Ben
(hoje, Jorge Ben Jor), em Paris,com Chico Buarque e em Nova Iorque, com
Joyce. Apresentou-se três vezes no Festival de Montreaux e aparecia em
programas de TV europeus com tal freqüência, chegando a ser reconhecido nas
ruas pelo público. Por aqui, ele já fez as suas - subiu no palco do 1º
Rock’n Rio, ao lado de Pepeu Gomes e Baby Consuelo.
"Apesar de ter morado no exterior e ter recebido propostas de cotinuar por lá, voltei e passei a morar em grandes centros, mas com a certeza de que retornaria à Juiz de Fora. Por isto nunca desfiz de minha casa, pois aqui é meu lugar", declara o artista.
E, assim, vai tocando a vida e o pandeiro o tal Joãozinho da Percussão. Além do seu 1º CD e o trio de jazz, o músico se apresenta com várias bandas locais, intérpretes e corais. Recentemente participou da apresentação da obra Te-Deum, do maestro Edmundo Villani-Côrtes, com o Coro e Orquestra Pró-Música.
"Muita coisa mudou da década de 60 para cá. O mercado anda muito melhor para o percussionista, além de hoje sermos reconhecidos e fazer parte, de fato, da banda ou orquestra. Atualmente, ritmistas são considerados músicos e respeitados por todos. Sinto-me um pouco responsável por isto", conclui.