Profissão: Engenheiro Eletricista

01/08/99

Se você pensa em fazer vestibular para Engenharia Elétrica, saiba que a fase é de mudanças. O mercado de trabalho agora está voltado para o profissional autônomo e tem aumentado suas áreas de atuação. O engenheiro deve não apenas saber lidar com números, mas desenvolver a versatilidade. As áreas vão de informática e eletrônica a telecomunicações e satélites. Saiba como funciona o curso de Engenharia Elétrica oferecido pela UFJF, a opinião de alunos e de profissionais que estão no mercado.

“Tem que gostar muito de exatas!”

Quem opta por fazer um curso de engenharia elétrica tem como ferramentas básicas de estudo matemática e física, afirma Carlos Elízio Bahal, coordenador do curso na UFJF. O curso dura em média 5 anos – 10 períodos. Na UFJF (Campus Universitário) são oferecidas 60 vagas por ano, 30 para o 1º semestre e 30 para o 2º.

Segundo Bahal, o estudante é preparado para trabalhar com sistemas elétricos de potência, isto é, com o processo de geração, transmissão e distribuição de energia. Isto envolve desde as usinas geradoras de energia elétrica até a sua saída pelas tomadas de uma casa. Outras áreas estudadas são a de telecomunicações, telefonia, satélite, microondas de comunicação, eletrônica, sistemas de controle e até informática.

De acordo com a avaliação do MEC, o curso de engenharia elétrica da UFJF obteve conceito C. Luiz Carlos Tonelli, diretor da faculdade, ressalta que começarão agora os estudos para a avaliação do currículo, que deve sofrer alterações em função da nova Lei Federal de Diretrizes e Bases. São 14 laboratórios que desenvolvem projetos de extensão para Juiz de Fora e região, como o trabalho feito pelo PET, Programa Especial de Treinamento. O PET é aprovado pela CAPES, órgão do Ministério da Educação que dá apoio aos projetos de pesquisa e iniciação científica com alunos de graduação. O professor tutor, Francisco José Gomes, orienta os alunos em seus projetos que vão da eletrônica à informática.

Para Tonelli, o maior empregador de engenheiros é o governo. “Porque é ele que realiza grandes empreendimentos. Mas este mercado está fechado, diminuído pela política econômica atual.” Hoje o empreendedorismo que está abrindo novas portas no mercado, “é hora do profissional montar seu próprio negócio”. O diretor sugere o desenvolvimento de softwares para engenharia e consultorias técnicas como exemplos de novas oportunidades.

Os cursos de pós graduação oferecidos pela Faculdade de Engenharia Elétrica da UFJF são: Especialização em Segurança do Trabalho, curso noturno que está em sua 12ª edição e tem duração de um ano e Mestrado em Engenharia Elétrica.

A Escola de Engenharia de Juiz de Fora foi inaugurada em 17 de agosto de 1914 e, em novembro de 1960, foi integrada à UFJF. Ela funcionou em outros locais antes da integração; no prédio do DCE e no do Colégio João XXIII, por exemplo, já foram sede da Faculdade. Hoje, a direção tenta resgatar o museu da entidade através de ex-alunos. Algumas pessoas conhecidas se formaram lá, como o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, que fez o antigo curso “civil eletrotécnico”.

Para saber mais sobre o curso vá ao site www.ufjf.br/cursos/engelet.php, onde você vai encontrar um catálogo sobre o curso de graduação e pós graduação. O e-mail do diretor da faculdade é tonelli@engelet.ufjf.br.

De informática a eletrônica

Entre uma aula e outra, o JF Service conversou com dois alunos do 6º período de engenharia elétrica, Marlos Jorge de S. Guedes e Marco Aurélio de Almeida Castro. Um lembrete: a primeira coisa que eles disseram é que não existe um “engenheiro elétrico”, afinal não é possível ligá-los na tomada!!! O certo é engenheiro eletricista. Marlos e Marco dão mais algumas dicas para quem quer “entrar” no curso:

  • JF Service: O que vocês acharam da prova do vestibular?
  • Marlos: O que pega é a redação.
  • Marco: Na verdade, todo mundo já tem que entrar sabendo matemática e física. Tem que gostar muito de exatas.

  • JF Service: O que é mais difícil no curso?
  • Marlos: Física.
  • Marco: Cálculo é novidade, por isso parece difícil. Entram 30 e só nós dois ainda não tomamos pau (eles estão no 6º período).
  • Marlos: Tem que estudar muito, mas passa. Apenas 10% formam em cinco anos.

  • JF Service: É fácil conseguir estágio?
  • Marco: Tem muito estágio aqui, tem o CRITT (Centro Regional de Transferência de Tecnologia), tem o PET, mas o aluno tem que manter nota boa.
  • Marlos: A média do IRA (Índice de Rendimento Acadêmico, uma média das notas de todas as disciplinas já cursadas pelo aluno) é baixa, gira entre 60 e 70. Nós somos uma exceção. (o IRA deles é mais de 80%).
  • Marco: E além disso, a CAPES quer terminar com o PET, ou fundi-lo com outra coisa.

  • JF Service: Como funciona o PET?
  • Marco: O tutor possui 12 bolsistas, ele passa um trabalho para cada um. Geralmente os próprios alunos têm as idéias. Eu, por exemplo, estou mexendo com gerência de redes. Todo ano o pessoal do PET ganha o Prêmio Quiral e todos os alunos saem direto para um mestrado.

  • JF Service: Qual a qualidade fundamental para um bom estudante de engenharia elétrica?
  • Marco: Tem que gostar de matemática e física. E procurar não tomar pau no início do curso.
  • Marlos: Tem que gostar para conseguir ir até o fim.

  • JF Service: Quais as áreas mais promissoras na profissão?
  • Marlos: As áreas são muitas, é difícil escolher: vai de eletrônica à potência. Cada um gosta de uma coisa. Mas é importante dizer que os primeiros períodos são a base, são teoria e você não vê a aplicação disto. Mais tarde, com a parte prática, fica mais fácil do aluno se decidir entre a melhor área.
  • Marco: Sacar de informática já é um grande passo, tanto para quem entra, como para quem sai. É um mercado que aumenta a cada dia.


Engenheiro eletricista:
agente de desenvolvimento e progresso

José Geraldo Neto de Faria se formou em engenharia elétrica pela UFJF (em 1975). Depois de ter passado por várias áreas da profissão, hoje ele é gerente administrativo e apoio técnico da Companhia Paraibuna de Energia. José Geraldo participou recentemente da construção da Usina Hidroelétrica de Sobragi, localizada no rio Paraibuna, entre os municípios de Belmiro Braga (MG) e Simão Pereira (MG), cidades próximas a Juiz de Fora. A usina pertence a Companhia Paraibuna de Metais.

Ele nos atendeu para a entrevista em seu escritório da Agência de Desenvolvimento de Juiz de Fora e Região, na qual assumiu o cargo de coordenador executivo no dia 8 de junho deste ano. Realista, mas muitas vezes romântico com a profissão, ele faz questão de citar de cor o objetivo a que se propõe a agência: “Sua missão é promover sinergias entre instituições públicas, entidades de classe e empresas, visando através de iniciativas e projetos alcançar o desenvolvimento sustentado de Juiz de Fora e região.” José Geraldo afirmou que acredita na profissão que escolheu.

  • JF Service: Como o senhor escolheu a profissão de engenheiro eletricista?
  • José Geraldo: Antes de tudo, por gostar de matemática, eu sempre imaginava estudar engenharia. Estas coisas nascem com a gente. Eu passei pelo curso técnico de eletrotécnica, o que também ajudou a definir o meu interesse pela profissão.

  • JF Service: Durante quantos anos, o senhor estudou engenharia elétrica?
  • José Geraldo: Estudei cinco anos de graduação. Especializei-me durante um ano na Espanha, na empresa denominada Asturiana de Zinco, na área de operação e manutenção em sistemas elétricos em planta industrial de produção de zinco eletrolítico (em outras palavras, entender como operar e fazer manutenção nos equipamentos elétricos numa grande empresa.). Também participei de diversos cursos e seminários na área de estudos energéticos. Em 1993, participei do Congresso Mundial de Energia, realizado nos EUA, na cidade de Atlanta. Fiz diversas visitas técnicas na Espanha, Canadá, Estados Unidos e Brasil. Em qualquer profissão, você deve sempre se atualizar, inclusive na engenharia elétrica.

  • JF Service: Como é o dia-a-dia do engenheiro elétrico?
  • José Geraldo: Depende da fase profissional em que ele se encontra. Eu já passei por vários estágios. O dia-a-dia de quem dá manutenção numa área ligada a produção de uma siderúrgica, por exemplo, é de muita responsabilidade e preocupação, mas você aprende muito. Outra área da engenharia, a de desenvolvimento e instalação de novos equipamentos elétricos para produção, é bem diferente. Requer muito estudo e tem que ter conhecimento para desenvolver o projeto. Mas é menos estressante que a anterior.

  • JF Service: Qual a qualidade fundamental para o bom engenheiro eletricista?
  • José Geraldo: Bom senso, ser estudioso, responsável, interessado em fazer bem feito e com entusiasmo o que faz, com qualidade, usando sempre na resolução de problemas a experiência profissional adquirida. Gostar de exatas também é fundamental.

  • JF Service: Quais as recompensas da profissão?
  • José Geraldo: Ter a oportunidade de ver acontecer na prática estudos e projetos realizados nos escritórios e acompanhar as transformações que ocorrem na natureza como, por exemplo, na construção de uma usina hidroelétrica. Outra recompensa é proporcionar o crescimento do ser humano como agente de desenvolvimento e progresso.

Colaboração: Luciana Lima
Estudante do 6º período de Jornalismo
da Facom, UFJF

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