Saúde

Psicologia

Bulimia, anorexia e outros transtornos alimentares

Complexo de perfeição

Uma jovem de 17 anos com predisposição a engordar e irmã de mais quatro adolescentes magras, bonitas e cercadas de elogios, dirige-se ao consultório médico. A mãe, no entanto, é obesa, está saindo de um casamento falido e é super pessimista quanto ao seu futuro: "Você vai ficar igual a mim". Este é apenas um dos casos clínicos tratados por profissionais da psiquê.

Quem o descreve é a psicóloga e terapeuta familiar Ana Stuart, da linha gestaltiana. “Na relação mãe e filha existe uma cobrança intrínseca de comportamento, além de projeção paterna refletida na forma de cobrança", avalia. A psicóloga, que leu e releu várias vezes o "Complexo de Perfeição", livro de Colettie Darvining, antes de aprofundar-se nestes estudos, crê que a filha é reprimida pelo "ser belo", portanto, o "ser feliz", e reage através da negação (anorexia) ou da culpa (bulimia), ambos ligados à oralidade.

Apesar de possuírem um perfil psicológico semelhante, anoréxicas e bulímicas têm estudos de caso específicos. A bulimia está ligada ao stress da vida moderna e a comida serve como um calmante. Quando se vê acima do peso, a bulímica passa a fazer dietas rígidas sem controle. O tratamento requer acompanhamento multidisciplinar, baseado em reeducação alimentar e psicoterapia aliada a ingestão de antidepressivos.

A anorexia tem tratamento semelhante, explica a psicóloga, mas está relacionada à dificuldade de estabelecer relações de troca familiar - carinho, amor, raiva... A anorexia pode ser restritiva (nada se come) ou bulímica (comer muito, seguido de vômitos e ingestão de laxantes). Neste último caso, segundo Ana Stuart, a paciente transfere seu medo de engordar, adquirido na fase oral, para a região anal. Os vômitos seguidos destróem a flora estomacal e o uso indiscriminado de laxantes, a flora intestinal.

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