Flávia Machado
24/09/01

Em Juiz de Fora, o funcionário público, recém formado em Geografia e agora também projetista, Paulo César Ferreira, desenvolveu um aquecedor solar que utiliza garrafas descartáveis de refrigerante, conhecidas como PETs, para aquecimento de água, com um baixo custo. O aquecedor é feito com alguns metros de cano preto e muitas garrafas de refrigerante, que são furadas e colocadas, umas atrás das outras, ao longo do cano. Este sistema, pode ser adaptado a qualquer caixa d’água ou mesmo latão, de uma residência que tenha uma laje ou uma outra superfície plana, e ligado à rede hidráulica da mesma, como por exemplo, o chuveiro.
O protótipo, que ainda se encontra em fase de experimentação, é uma idéia simples, barata e que realmente funciona, como esclarece o próprio autor. “O princípio de funcionamento deste aquecedor está no fato de que as garrafas de plástico produzem um ‘efeito estufa’ ao longo do cano e não deixam o calor sair. O sol passa através das garrafas, esquenta o cano e o calor permanece. Assim, tem-se água quente durante o dia todo.”
A professora, Berenice Celeste Alves, que está testando o aquecedor, também garante que a invenção dá certo. “Quando tem sol, a água fica quentinha o dia inteiro. Em 15 dias de teste, só tomei banho de chuveiro elétrico umas duas ou três vezes, porque o tempo estava nublado.”
O lixo é um luxo
A energia gerada, além de barata, é também ecologicamente correta, pois utiliza materiais que, normalmente, são jogados no lixo e poluem o meio ambiente, como as PETs. O cano é reciclável e a energia elétrica também é economizada. A vantagem deste aquecedor solar é que ele é uma fonte alternativa de energia dentro de casa, que pode ser utilizado em conjunto com a energia elétrica, por exemplo.
Outro grande atrativo deste projeto é o seu baixo custo. O preço estimado desta empreitada, que qualquer um pode fazer em sua casa, não sai por mais de R$ 50, segundo o próprio projetista. Para a construção de um aquecedor são necessários 150 m de cano de meia polegada, também conhecido como ‘maria mole’, que custa R$ 0,16 o metro, cerca de 450 garrafas PET, mais as emendas para a instalação na caixa d’água.
Em dias de alta ensolação, no verão, este sistema esquenta água suficiente para seis pessoas tomarem banho, de uma em uma hora. Ou seja, a água demora em média uma hora para se aquecer. Com baixa ensolação, na mesma estação, este tempo aumenta para duas horas e meia. De acordo com Paulo César, até no inverno o aquecedor pode ser utilizado, já que os dias ensolarados são uma constante no frio. “A primavera é a estação onde o tempo de aquecimento da água é mais demorado por causa das chuvas, o que gira em torno de quatro horas.”
Da teoria à prática
O protótipo está em fase de experimentação, na casa da professora Berenice
Celeste Alves, moradora do Bairro Nossa Senhora de Fátima, há cerca de 15
dias (data de apuração desta matéria). Não dá para saber ainda de quanto foi
a economia de energia elétrica, pois a conta de luz não chegou. De qualquer
forma, a professora, que mora com seus dois filhos, gostou da invenção e está até aumentando o comprimento
do cano, para aquecimento de maior volume de água. Ela acredita que, com a
chegada do verão, não vai nem precisar de chuveiro elétrico.
Tempos de racionamento
A idéia de desenvolver este projeto surgiu da realização da monografia de
licenciatura em Geografia, aliada aos tempos de racionamento, como conta
Paulo César. A monografia - “Energia Solar: Uma proposta interdisciplinar
para alunos do 4º ciclo do ensino fundamental” -, é também uma proposta
pedagógica de aliar a teoria de construção do aquecedor solar à prática de
desenvolvimento deste equipamento, levando-se em consideração a
interdisciplinariedade contida no projeto. De acordo com ele, os alunos
podem aprender geografia, física e matemática, ao mesmo tempo, com o estudo
do aquecedor e sua montagem.
O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb) apoiou o projeto, com a doação dos materiais necessários. Segundo o gerente industrial do Demlurb, Giancarlo Castegliani, a idéia é popularizar o protótipo e, de acordo com a sua aceitação, fornecer o material, como as garrafas de plástico, para os interessados em construir o aquecedor solar em casa. Para isso, o Departamento pretende fazer uma cartilha explicativa, que será distribuída para a população e, posteriormente, um cadastro.
Veja aqui como foi construído o protótipo.