O JF Rainbow Fest chega à sua quarta edição com um programação
variada. O evento, organizado pelo Movimento Gay de Minas que tem sede em Juiz de
Fora, acontece entre os dias 13 e 17 de agosto. Serão cinco dias de
palestras, seminários, mostra de cinema, exposição de fotos, feira de moda e
festas. A Parada da Cidadania e do Orgulho GLBT que acontece pela
primeira vez na cidade encerra a programação.
A cada ano o evento ganha maiores proporções. Segundo o presidente do MGM,
Oswaldo Braga, neste ano aproximadamente 500 pessoas foram envolvidas
na organização do evento. Além dos três funcionários do MGM, associados e
voluntários também trabalham no Rainbow Fest que conta ainda com a
participação de estudantes universitários que estão fazendo da festa uma
extensão de suas atividades acadêmicas.
Cerca de 50 estudantes da Faculdade de Turismo da Universidade Federal de Juiz de
Fora estão envolvidos com o projeto. Os acadêmicos estão responsáveis
pela recepção dos turistas, palestrantes e artistas no aeroporto, na
rodoviária, nos hotéis e em todas as atividades programadas. Além disso,
farão uma pesquisa sobre a evolução do perfil do turista do ano passado para
2003. Os alunos da Faculdade de Comunicação da UFJF estão cuidando da
assessoria de imprensa do evento, através de boletins eletrônicos - o
Rainbow Fast - e de um jornal a ser publicado. Nove estudantes cuidam deste
trabalho.
Homossexualidade e educação
O primeiro dia do VI JF Rainbow Fest está reservado para discutir o tema
Homossexualidade e Educação. Na abertura da programação, o diretor do
MGM, Marco Trajano, ressaltou a importância da educação como forma de
combater a discriminação contra os homossexuais. "Vocês, professores, são
peça fundamental na disseminação do respeito e na luta contra o
preconceito".
De acordo com o MGM, em dezenas de países, incluindo o Brasil, formas sutis
e silenciosas agem para diminuir e castigar o cidadão GLBT (gays, lésbicas,
bissexuais e transgêneros). E é por isso que o tema Homossexualidade e
Educação foi escolhido pela quarta vez para abrir o ciclo de palestras
do JF Rainbow Fest.
Para Trajano, a iniciativa é uma tentativa de
capacitar professores para educarem alunos diferentes, trabalhando as questões
sexuais, raciais e até mesmo sociais. "A educação deve entender a
diversidade e trabalhar a aceitação entre as crianças. Desse modo, formam-se
adultos mais cidadãos".
Durante oito horas professores da rede de ensino pública e privada da cidade
e região serão orientados a lidar com questões relacionadas à
homossexualidade na escola. Serão duas oficinas que acontecem no Centro
de Formação do Professor que fica no Centro Cultural Bernardo
Mascarenhas - CCBM. A primeira delas, na parte da manhã, discute a visão do
psicoterapeuta que atua há um ano e meio no MGM, Aristóteles
Rodrigues, que defende a tese da homossexualidade biológica.
Psicologicamente falando...
Essa visão também defendida por outros estudiosos, vem da experiência
profissional do psicoterapeuta que há mais de 20 anos lida com problemas e
dilemas dos homossexuais. "Em outras cidades onde trabalhei a gente encontra
famílias em que quatro irmãos são gays, dois ou três são e quatro não. Eles
são filhos de militares, protestantes, comunistas, ateus, pais interessados
e ausentes, brutos e delicados. Não há uma explicação ou a existência de um
fator que determine a homossexualidade senão a biológica. Além disso, não
conheço nenhum homossexual que tenha encontrado a 'cura'".
Psicologicamente falando... também conta com a participação da
psicóloga e sexóloga Maria Lúcia Beraldo que vai abordar a questão da
auto-estima na homossexualidade. De acordo com a psicóloga, o homossexual já
cresce num ambiente de influências negativas em que os pais condenam suas
posturas. "Quando chega à adolescência, esse indivíduo internalizou essa
postura homofóbica, de não aceitação, e se sente culpado. Daí surge o
conflito entre desejo e comportamento socialmente aceito. Então a questão da
auto-estima é muito mais complicada para os homossexuais", esclarece.
Educação e identidade sexual
À tarde, a segunda oficina, A história de Ludovic: gênero, identidade
sexual e educação, faz um convite à reflexão dos convidados. A palestra
será comandada pelos professores Anderson Ferrari e Sylvia Helena
do Santos Rabello que têm mestrado na área de educação e lecionam no
Colégio de Aplicação João XXIII da UFJF. A partir da exibição do
filme francês Minha vida em cor-de-rosa, eles pretendem discutir
questões relacionadas à educação, assim como gênero e identidade sexuais.
O filme conta a história de Ludovic, um garoto em conflito com a construção
de sua identidade sexual. A exibição da obra servirá como ponto de partida
para a discussão da sexualidade infantil em contextos como a escola e a
família.
Anderson Ferrari acredita ser muito importante levar o debate sobre gênero e
identidade sexuais para dentro de escola. "Considero que o papel fundamental
da escola seja o do questionamento do senso comum. Seria interessante que os
professores mantivessem uma postura a favor da desconstrução de parâmetros
sexuais rígidos, favorecendo uma formação menos traumática para o aluno
homossexual", fala.
A oficina tem como objetivo ajudar o professor a lidar com a sexualidade de
seus alunos. "Gostaríamos de que os educadores saíssem de lá mais consciente
da necessidade de ouvir a criança, não rotulando-a e procurando sempre
preservar a identidade sexual do aluno", afirma a professora Sylvia Helena.