Lugar de homem também é na cozinha!
Conheça homens que aprenderam a fazer das panelas suas aliadas

Repórter: Deborah Moratori

Em tempos de Dia dos Pais, vamos conhecer dois exemplos de chefes de família que deixam de lado a pasta e o estetoscópio, se despem do preconceito e vestem o avental para desbravar um território tipicamente feminino - a cozinha - e preparar receitas simplesmente deliciosas!

Ficou para trás a época em que o sexo masculino só chegava até a cozinha para abrir a geladeira e pegar uma cerveja. Hoje muitos homens estão tomando conta da cozinha, seja para preparar um jantar especial para a família, seja para impressionar os amigos ou, por que não, a namorada.

O certo é que quase sempre, quando eles decidem desbravar esse território tipicamente feminino, nada de uma saladinha com um peito de frango grelhado, eles gostam mesmo - pelo menos tentam - é de fazer pratos elaborados. Quanto mais trabalho der, melhor...

Em alguns casos, eles cumprem até um ritual, vestindo-se como um legítimo chef de cuisine. Mas verdade seja dita: eles só costumam ir para a cozinha em eventos especiais, nada de cozinhar numa quarta-feira tediosa para preparar o almoço das crianças que vão para a escola.

E, ao contrário de nós mulheres, que apreciamos uma companhia na cozinha, os homens preferem ficar sozinhos. Se for para ficar dando palpite então, é melhor até sair de casa. Se você persistir, em último caso, se a receita não der certo, pode ter certeza que a culpa vai ser da colher de pau que você o aconselhou a usar...

Ula, la!
De qualquer forma, essa experiência de ganhar a cozinha, mesmo que de vez em quando, fez com que os homens acabassem descobrindo receitas de dar água na boca e que nada se assemelham a sopas em pó, latas de atum e macarrão instantâneo com que eles estão acostumados a lidar.

O sexo masculino ganhou notoriedade com seu talento para a gastronomia. A amélia-quituteira perdeu espaço na mídia para os mestres-cucas de plantão. Rodolfo Bottino e Olivier Anquier são exemplos de homens à frente dos fogões. Mas a gente tem que confessar que Rodolfos e Oliviers são exceção! Caso contrário, nossos tronos de "rainha do lar" estariam realmente ameaçados... Que perigo!

Você não se lembra de nenhum homem que goste de cozinhar mesmo que de vez em quando? Então, vamos lhe apresentar o dentista Flávio Lúcio Moratori e o engenheiro Luiz Gonzaga Chafi Hallack.

História de pescador?
É com conhecimento de causa que atesto a performance na cozinha deste dentista que há muito tempo vem se aventurando neste mundo de panelas, colheres de paus e afins. Moratori já cozinhava antes mesmo de pensar em agradar a esposa e os filhos. "O pai quando vai para a cozinha é sinônimo de comida boa", afirma o caçula Luiz Felipe.

De um mineiríssmo Feijão Tropeiro ao chinês Yaksoba que aprendeu num curso de culinária com o chef de um restaurante tradicional da cidade, as receitas que costuma fazer são sempre gostosas. As últimas incursões pela cozinha renderam Bolinhos de Chuva quentinhos preparados para um café da manhã especial.

Feriados e domingos são os dias preferidos para as aventuras gastronômicas do dentista. A esposa agradece. "Pelo menos não tenho que enfrentar a cozinha, a não ser para lavar a louça ou para servir como uma legítima co-piloto para descascar, picar e, principalmente, achar os utensílios que ele nunca encontra. O problema é que ele é muito exigente. Ai de mim se fizer algo errado. Os palpites também ele dispensa!", conta a psicóloga Vera Lúcia Marques Lopes Moratori.

Ih, bacalhau! Ih, bacalhau!
Uma especialidade? Do trivial ao sofisticado, como bom descendente de italiano que sabe apreciar uma boa mesa, Moratori afirma que domina as diversas áreas da culinária. Do arroz soltinho que faz melhor que a esposa - ela mesma confessa - aos Bolinhos de Bacalhau, tudo que ele prepara é uma delícia". E o cozinheiro revela o segredo: "Aprendi a fazer o bacalhau com ela que é filha de portugueses".

Bolinhos de Bacalhau Camarão na Moranga Feijão Tropeiro

As receitas que têm peixes e frutos do mar, como todo pescador, são as preferidas. O Pacu Recheado e a Anchova ao Shoyu com Gengibre são duas receitas que agradam a família inteira. Mas é o Camarão na Moranga que ganha como prato mais gostoso em disparada! Os filhos aprovam em uníssono.

E quando dá errado? Quando isso acontece, como ocorreu com o Frango Agridoce e a Carne ao Molho de Conservas que ele prefere não dar as receitas, a família compreende e, contrariado, Moratori conta, "Decido testar a receita novamente, mas com outros ingredientes". "Mas isso não é nada que comprometa a habilidade dele na cozinha", defendem os filhos corujas.

Das arábias
Outro pai que arrasa na cozinha é o engenheiro Luiz Gonzaga Chafi Hallack. As incursões desse descendente de sírios pela cozinha começou logo na infância. Muito bagunceiro o castigo que recebia era ajudar a mãe na cozinha. "Eu tinha que ficar na cozinha moendo a carne para fazer o kibe, mexendo o caldo...", conta.

A curiosidade fez com que Hallack acabasse aprendendo a fazer esfihas, kibes, tabule e outras iguarias da culinária árabe. Depois de casado a bisbilhotice mudou de endereço, foram os segredos da cozinha da sogra que passaram a ser investigados. "Com ela aprendi a temperar carnes de um jeito bem mineiro".

Mas as especialidades que o engenheiro prepara são mesmo das arábias. A receita de esfiha, que aprendeu a fazer com a mãe e aprimorou com a tia, ele não dá para ninguém. Aliás, afirma, mostrando um livro de culinária, "nunca vi uma receita original de esfiha". Segredo guardado a sete chaves e apreciado por poucos felizardos que têm a chance de provar. "Eu só gosto de cozinhar para a família, talvez esse seja o segredo..."

E a família agradece. O filho, Luiz Vinícius, destaca a pizza de bacon que o pai faz. E a esposa, Jovita Maria Cupertino Hallack, elogia. "A pizza também é uma especialidade dele", mas ele nega, "todo mundo gosta da pizza, mas especialidade mesmo é a esfiha. As meninas gostam da esfiha aberta", conta o pai, falando das filhas Laura e Laila.

Ritual em família
Filho de sírios, ele prova que é um legítimo Hallack. Se você quer preparar um almoço árabe, ele dá as dicas. Uma Salada Árabe de Pepinos, refrescante e afrodisíaca, é ideal para servir de entrada. Como prato principal a sugestão é uma Kafta acompanhada do Arroz de Lentilhas, a tradicional Mijadra. Já para o almoço do domingo Dia dos Pais, ele sugere um Coq au Vin. "De preferência acompanhado de arroz branco e batata souté".

"O problema é que a culinária árabe é muito ritualista. Os pratos levam de duas a três horas para estarem prontos", alerta. A Berinjela em Conserva deve repousar no azeite por um mês antes de ser consumida. E a Abobrinhas Recheadas, a esposa diz, "é uma delícia, mas dá um trabalhão para fazer. E ainda acaba rapidinho".

Kafta Abobrinha Recheada Arroz de Lentilhas

Prova de que tudo que Hallack prepara é uma delícia. Esse segredo ele conta. "Quando um homem vai para a cozinha, ninguém espera que alguma receita vai dar certo. E por que dá certo? Porque a gente vai com prazer, sem obrigação de ter que cozinhar o arroz e o feijão, embora eu saiba cozinhar um arroz muito bem", defende-se.

Além disso, Jovita adverte, "ele não tem pena de usar os ingredientes. A farofa dele é uma delícia, porque leva muita manteiga. E a mulher na cozinha está preocupada com a saúde e coloca um fiozinho de óleo de soja. Resultado: não fica bom...", lamenta.

Restrições não há nas receitas do engenheiro. "Comigo não tem esse negócio de light e diet. Gosto de cozinhar com liberdade. Se vou à feira sozinho, compro de tudo para experimentar nas receitas. Cozinhar é um exercício cerebral e uma terapia, por isso eu recomendo a todos os homens", receita Hallack que também é psicólogo.

Se você quiser fazer do seu pai, marido ou namorado um
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