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Artigo Alcoolismo. Afinal o que é isto? |
"No início, bebia no fim-de-semana. Tomava cerveja, cuba, uísque.
Comecei a beber depois do trabalho, na sexta-feira já não ia,
porque saía para beber.
Na segunda-feira, falhava porque tinha ressaca, desânimo."
Adaptação de depoimento
Todo alcoolista apresenta três características básicas através das quais pode se detectar a doença.
Os alcoolistas não voltam a ser bebedores sociais e com freqüência tem recaídas.
Prejuízo psicosocial do alcoolista
A partir do momento em que o alcoolista passa a depender do álcool e não
pode decidir o quanto vai beber, passa a ter uma vida regida pela
dependência, pela necessidade de continuar bebendo e de evitar os sintomas
da privação do álcool. Submetido a essa dependência, passa a ter prejuízos
nas áreas de sua vida física, psicológica, familiar social e moral.
Os prejuízos decorrentes da ingestão de bebidas alcoólicas vão aumentando e
o alcoolista utiliza, como defesa, todos os recursos para que nada se
interponha entre ele e o álcool: ameaça, promete, seduz e mente.
De um modo geral, o alcoolista é inseguro, tímido, geralmente aparecendo quando está em situação que lhe obrigue a exercer atividades. Como exemplo, podemos citar o alcoolista frente ao casamento. Muitas vezes não está preparado para assumir as responsabilidades de uma família.
Ao iniciar sua vida conjugal, bebe mas não cria problemas. A seguir o alcoolismo se exacerba, pois um dos fatores responsáveis é a relação com a esposa, na qual espera encontrar ajuda para as suas necessidades insatisfeitas e de quem pode depender.
O alcoolista passa por situações de angústia e tensões quando sente-se inferior social, emocional e sexualmente. Através do álcool, descobre as facilidades e dificuldades que a intoxicação lhe oferece para estabelecer contato com os outros, assim como exerce efeitos desinibidores tanto agressivos quando sexuais, reduzindo as sensações desagradáveis, que passam no momento.
Cada um age de uma forma
A conduta do alcoolista varia de indivíduo para indivíduo. Em alguns casos,
o álcool leva a uma conduta violenta e desequilibrada enquanto a outros leva
à apatia e à alienação.
Muitas vezes os alcoolistas não deixam transparecer para os estranhos que
estão alcoolizados. Já no ambiente familiar, quando sentem que há um medo da
família frente a sua pessoa, tornam-se cada vez mais onipotentes e
agressivos, chegando a cenas de quebra-quebra, agressões físicas ou de botar
todos para fora de casa, argumentando que bebeu porque lhe incomodam. São
nesses conflitos, que alguns utilizam-se de instrumentos como armas de fogo,
facas e outros objetos para agredir a família. Geralmente, a esposa é a
vítima e, raras vezes utilizam essas armas contra eles próprios.
Todo alcoolista, pela rejeição que sofre da família e do meio, é carente de afeto e considera-se um injustiçado social. Deseja ser amado, porém nega afeto, principalmente com o cônjuge e filhos.
O alcoolismo não atinge apenas um indivíduo, mas sim toda a família. O desajuste que provoca no lar, o drástico impacto na formação da personalidade dos filhos, mostra que nós estamos diante de um indivíduo enfermo, mas de uma família que adoeceu e é ela em conjunto que deve ser recuperada.
A família por estar diretamente envolvida com o alcoolismo, sofre vários
tipos de influências e, por não entender que é uma doença, mas um “defeito
moral,”' apresenta sentimentos hostis e de rechaço, dificultando o
tratamento e a recuperação do indivíduo.
A família passa por situações embaraçosas devido às atitudes do cônjuge.
Começam a se isolar dos amigos, vizinhos e dos próprios familiares. Na
medida em que a situação vai se agravando, aumenta a angústia e a ansiedade
em tentar encobrir o problema.
Os filhos tentam mascarar o alcoolismo do pai e, por identificação com a mãe, também se apresentam diante do problema, criando-se um ambiente generalizado de medo do chefe da família. O diálogo torna-se mais distante, na medida em que tentam contornar a situação através de métodos como: isolamento, deixá-lo sozinho, esconder a bebida, reduzir o dinheiro e outros. Não havendo resultado positivo, aumenta a frustração principalmente da esposa.
O comportamento descontínuo do casal afeta emocionalmente os filhos e, devido às instabilidades agressivas, hostis e psicológicas, havendo em maior ou menor grau relações conflituosas carregadas de sentimento ambivalentes de amor e ódio. Encontramos nos filhos de alcoolistas, problemas como omissão do alcoolismo do pai ou mãe, repetência escolar, ausência do lar e, em muitos casos, degradação: como também, o próprio alcoolismo por identificação.
O mecanismo de enfermidade geralmente faz surgir no lar um clima de incompatibilidade, desentendimento, queixas, acusações, ofensas e mesmo agressões físicas que vão gradativamente agravando a situação e culminando, não raro, com a degradação familiar. Por outro lado, a experiência demonstra que pioram as possibilidades se o alcoolista for abandonado por seus familiares, ou, se estes, por alguma razão, não colaborarem de forma efetiva na recuperação.
A partir da compreensão e reconhecimento do alcoolismo como doença, a família sente-se aliviada, tendo assim condições de colaborar com o doente e, conseqüentemente, consigo mesma Na família esclarecida , a doença é tratada junto com o doente e nota-se alívio de tensão dentro do lar , ao mesmo tempo que o ambiente conturbado em que viviam vai se modificando quando um se conscientiza de que tudo era decorrente da doença a que estavam envolvidos.
Conseqüências físicas
O limite a partir do qual o álcool causa danos físicos não é bem
estabelecido, variando para cada tipo de lesão, existindo uma
proporcionalidade entre o dano e a quantidade de álcool ingerido.
Descrevemos várias conseqüências físicas que podem resultar da ingestão
excessiva:
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Vânia Fortuna
é
psicanalista e conselheira em dependência química
na clínica Psicomed
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